Quanto custa chegar mais rápido? Matemática aplicada à decisão

Uma rota de 240 km, uma função de custo e uma pergunta de gestão: como escolher uma velocidade média que faça sentido para a operação?

Gráfico do custo por quilômetro com mínimo em aproximadamente 26,21 km/h. O componente quadrático cresce e o componente por tempo diminui.
Curvas calculadas com a função do exercício. A velocidade econômica está abaixo de todos os valores da tabela solicitada.

O menor custo nem sempre atende ao prazo. Uma função permite calcular a velocidade econômica, comparar a urgência e compreender quais condições precisam entrar na decisão.

Uma entrega e duas formas de gastar

O problema começa com uma empresa de logística que transporta cargas leves entre cidades. O exercício fornece um modelo do custo por quilômetro em função da velocidade média. Combustível e desgaste crescem com o quadrado da velocidade, enquanto salários e depreciação por tempo ficam distribuídos por mais quilômetros quando a viagem é mais rápida.

C(v) = 0,0025v² + 90v, para v > 0

A velocidade v está em km/h e o custo C(v), em R$/km. O termo 90/v corresponde a um componente de R$ 90 por hora dividido pela velocidade. Os valores são dados do exercício, não uma estimativa medida em uma frota específica.

Por que os dois extremos ficam caros?

Quando a velocidade tende a zero pela direita, o tempo necessário para percorrer cada quilômetro cresce sem limite. O termo 90/v aumenta e o custo total tende a infinito. Não significa que exista uma viagem efetivamente realizada a zero km/h: esse valor está fora do domínio.

Quando a velocidade cresce sem limite, o termo 0,0025v² domina e o custo também tende a infinito. O comportamento sugere uma região intermediária mais econômica, que precisa ser determinada pelo cálculo.

Uma tabela ajuda, mas não encerra a investigação

A tabela solicitada no trabalho apresenta cinco velocidades. Os três componentes abaixo estão em R$/km, com três casas decimais para preservar o valor de 80 km/h.

Tabela de sensibilidade do exercício. Custo total = componente quadrático + componente por tempo.
VelocidadeQuadráticoPor tempoTotal
30 km/h2,2503,0005,250
50 km/h6,2501,8008,050
60 km/h9,0001,50010,500
80 km/h16,0001,12517,125
100 km/h25,0000,90025,900

Entre os valores tabelados, 30 km/h custa menos. Entretanto, a função aceita outras velocidades positivas. Por isso, o menor valor da tabela não prova o mínimo contínuo. Todos os pontos solicitados ficam à direita da velocidade ótima.

A derivada encontra a velocidade econômica

Derivando o modelo, obtemos:

C′(v) = 0,005v − 90v²

No ponto crítico, C′(v) = 0. Como v é positivo, multiplicamos por v² e chegamos a 0,005v³ = 90. Logo, v³ = 18.000 e:

v* = ∛18.000 ≈ 26,2074 km/h

Para provar que esse ponto minimiza o custo, observamos que C″(v) = 0,005 + 180/v³ é positiva em todo o domínio. A função é estritamente convexa. A derivada muda de negativa para positiva e existe um único mínimo global, como fundamentam os critérios de extremos estudados no cálculo.

Substituindo a velocidade ótima sem arredondar os resultados intermediários, encontramos C(v*) ≈ R$ 5,151214 por quilômetro. No ótimo, o componente por tempo vale aproximadamente R$ 3,434143/km, o dobro do componente quadrático, de R$ 1,717071/km.

O custo de cumprir a urgência

O exercício considera uma rota de 240 km. O custo total é K(v) = 240 C(v). Na velocidade econômica, a viagem custa R$ 1.236,29. O tempo calculado por 240/v* é de aproximadamente 9 horas e 9 minutos.

Se a velocidade média sobe para 90 km/h, C(90) = 0,0025 × 90² + 90/90 = 21,25. A rota custa R$ 5.100,00 e o tempo calculado cai para 2 horas e 40 minutos.

A diferença é de R$ 3.863,71. Dividindo essa diferença pelo custo mínimo, o aumento é de 312,52%. O custo final equivale a 412,52% do mínimo: esse percentual descreve o total, enquanto 312,52% descreve o acréscimo.

A derivada encontra um mínimo. A decisão precisa verificar se ele atende às condições da operação.

O que muda quando existe um prazo?

Vamos acrescentar uma hipótese didática: a entrega deve ocorrer em até quatro horas e a velocidade média tem um teto de 90 km/h. O prazo exige 240/v ≤ 4, isto é, v ≥ 60 km/h. O ótimo de 26,21 km/h fica fora da faixa viável.

Como o custo cresce acima do ótimo, 60 km/h minimiza o gasto entre as velocidades que atendem a essas condições. O custo da viagem passa a R$ 2.520,00. O novo valor vem de uma condição adicional, sem alterar a resposta do exercício original.

Se o prazo fosse de duas horas, a rota exigiria média de 120 km/h. Com teto de 90, esse planejamento seria inviável. O modelo ajudaria a reconhecer a necessidade de revisar prazo, organização ou alternativa de transporte.

Da conta para uma decisão justificada

O modelo não incorpora diretamente trânsito, paradas adicionais, carga, relevo, clima, pedágios ou diferenças entre veículos. Seus coeficientes precisariam de dados reais para apoiar uma operação concreta. A velocidade é média, e requisitos de segurança e condições da via delimitam as alternativas possíveis.

Na gestão pública, esse raciocínio pode apoiar uma investigação sobre distribuição de materiais entre unidades. Seria necessário estimar custos próprios, definir prazos e avaliar a qualidade do serviço. A matemática torna a decisão rastreável: quais condições foram consideradas, qual alternativa foi comparada e por que ela foi escolhida.

Para ensinar, a experiência pode começar com uma previsão: acelerar sempre reduz o custo? Depois, o estudante explora a curva, compara a tabela, acompanha a derivada e justifica a escolha em um cenário com prazo. Os desafios avaliam interpretação e cálculo, além do resultado final.

Materiais do estudo

O trabalho acadêmico apresenta a resolução passo a passo. A apresentação organiza os resultados para uma exposição de 15 minutos.

Referências e leituras

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